Poupança já 'perdeu' R$ 29 bilhões em recursos no ano, diz BC

 

A caderneta de poupança já 'perdeu' R$ 29 bilhões em recursos este ano, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (7) pelo Banco Central. Em abril, houve saída líquida de recursos (retiradas menos depósitos) de R$ 5,85 bilhões – o pior resultado para um mês de abril.

Foi o quarto mês seguido em que as retiradas superaram os depósitos na caderneta. Em março, foram R$ 11,43 bilhões, a maior retirada de recursos da mais tradicional modalidade de investimentos do país para todos os meses. A série histórica do BC tem início em janeiro de 1995.

Com isso, no acumulado dos quatro primeiros meses do ano a retirada líquida de recursos ficou em R$ 29,08 bilhões – mais que o valor de toda a entrada de recursos registrada no ano de 2014 fechado, que foi de R$ 24,03 bilhões.

A saída de recursos nos quatro meses do ano também é maior que a registrada em todos os anos fechados da série do BC – até o momento, o pior resultado para um ano fechado foi em 2003, quando houve saída líquida de R$ 10,4 bilhões da caderneta.

Com isso, o volume total de recursos aplicados na caderneta recuou novamente em abril. No fim do ano passado, o estoque de recursos na poupança totalizava R$ 662,7 bilhões. No fim do mês passado, já estava em R$ 648 bilhões.

Cenário econômico difícil
A evasão de valores da mais tradicional modalidade de investimentos do país acontece em um momento difícil: de alta da inflação, dos juros, dos impostos e, também, do endividamento das famílias.

 

Recentemente, o IBGE informou que a prévia da inflação oficial do país, medida pelo IPCA-15,ficou em 1,07% em abril – o maior para o mês desde 2003. No acumulado de 12 meses, o índice foi para 8,22% – a mais elevada desde janeiro de 2004.

 

Ao mesmo tempo, os juros básicos da economia, fixados pelo Banco Central, estão no maior patamar desde o início de 2009. As taxas de juros bancárias, por sua vez, subiram pelo terceiro mês seguido em março, para o maior patamar em quatro anos.

Rentabilidade baixa
Para completar o quadro, a poupança tem perdido atratividade frente a outros investimentos. Isso ocorre porque o rendimento dos fundos de renda fixa sobe junto com a Selic. Já o rendimento das cadernetas, quando a taxa de juros está acima de 8,5%, está limitado em 6,17% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR).

Especialistas avaliam que, independentemente do rendimento, a caderneta de poupança ainda pode ser uma boa opção de investimento em alguns casos. Pode ser uma boa alternativa, por exemplo, para pequenos poupadores (com pouco dinheiro guardado), para pessoas que buscam aplicações de curto prazo (poucos meses) ou que procuram formar um "fundo de reserva" para emergências – uma vez que não há incidência do Imposto de Renda.

Nos fundos de investimento, ou até mesmo no Tesouro Direto (programa do governo de compra de títulos públicos pela internet) há cobrança do imposto de renda e, na maior parte dos casos, de taxa de administração. Nos fundos de investimento e no Tesouro Direto, o IR incide com alíquota regressiva, ou seja, quanto mais tempo os recursos ficarem aplicados, menor é o valor da alíquota incidente no resgate.

 

Impactos no financiamento imobiliário
A fuga de recursos da poupança também tem provocado impactos e restrições no crédito imobiliário. A Caixa Econômica Federal reduziu o limite para financiamentos com recursos da poupança para compra de imóveis usados pela Caixa Econômica Federal (de 80% para 50% na modalidade mais procurada). As mudanças começaram a valer nesta segunda-feira (4).

 

Quando a captação da poupança é reduzida, os recursos para empréstimos ficam mais escassos. A decisão da Caixa deve ter impacto significativo no mercado de imóveis uma vez que o banco detém 70% de todos os financiamentos de imóveis no país.

 

No primeiro trimestre de 2015, foram destinados R$ 24,1 bilhões à compra e construção de imóveis, segundo pesquisa da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip). O resultado ficou 4,6% abaixo do verificado no mesmo período do ano passado.

 

 

 

Instituidores

  • 1
  • 2